A aluna da turma 82, Franciele Bordignon Dalla Costa, orientada pela professora Geiza Laize Dalberto, participou do Programa Jornalista por um Dia do Jornal Pioneiro, tendo seu texto entre os 100 publicados e os 30 melhores classificados numa seleção feita de 3.300 trabalhos. A aluna foi a Caxias do Sul acompanhada da professora e das vice-diretoras Firleia Guadagnin Radin e Teresinha Todeschini Pieta , onde os classificados foram recepcionados no estacionamento da Câmara de Vereadores. Os 30 melhores receberam, além do certificado, uma viagem ao Parque Terra Mágica da Florybal . Parabéns, Franciele, você inspira outros colegas a serem autores!
Segue o texto publicado
A gente se acostuma. Mas não
devia. A gente se acostuma a engolir tecnologia moderna e a não ter outra vida
que não a virtual. E, porque “não tem” vida, logo se acostuma a não enxergar as pessoas. E porque não as vê, logo
se acostuma a reclamar de todos. E, porque reclama, logo se acostuma a achar
que o mundo não tem jeito. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, os
passarinhos, os detalhes.
A gente se acostuma a viver
isolado porque não gosta das pessoas. A ler livros por pura ocupação. A viver
dentro de casa, porque sente medo da paz que o ar transmite. A saber de tudo o
que acontece no mundo, porque precisa se sentir normal. A viver teoricamente
equilibrado e feliz, porque não gosta de
demonstrar sentimentos para ninguém.
A gente se acostuma a beber água
comprada em supermercado e a não sentir seu gosto. E, aceitando a “industrialização”,
aceita a obesidade, o sedentarismo e a falta de frutas. E, não acreditando que
haja problemas nisso, aceita deixar nosso paladar dormir.
A gente se acostuma a viver e ver problemas. A
ter desejo de mudança e continuar sentado. A ser revolucionário e não saber
quem é nosso vice-presidente. A querer paz e gritar com o vizinho. A ser
rotulado, generalizado, criticado, por simplesmente querer.
A gente se acostuma a chorar. Às mesmas
matérias no colégio. A capacidade do ser humano em se tornar detestável. À
falta de interesse na vida e na morte. À mesmice e insignificância
cotidiana. Se acostuma a não sorrir com
os olhos, a rir sem achar graça, a conversar mesmo não querendo , a viver sem viver.
A gente se acostuma a ignorar.
Acumulando dores, sofrimentos, assuntos inacabados. Se não gosta do que está
fazendo, a gente se tranquiliza pensando que logo vai acabar. Se quer
cumprimentar um amigo, mas não gosta da sua companhia, a gente faz um breve
tchau e ainda acha que fez nada de errado.
A gente se acostuma a continuar,
todos os dias, mesmo querendo dormir por um tempo.
Franciele Bordignon Dalla Costa –
13 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada por sua participação. Seu comentário será publicado após ser lido e aprovado.Caso não tenha conta de email em nenhum dos provedores listados, escolha a opção "NOME/ URL" O campo URL(endereço de página na web) é opcional. Não publicamos comentários ofensivos e anônimos. Volte sempre!